12.9.06
e daí?
Não consegui beijar aqueles lábios deliciosos...
...Ainda...
Praticamente meia noite. A harmonia se apodera do ambiente. A mulher começa a cantar, a mesma melodia que se repete quase que diariamente. O chimarrão jaz vazio, desprezado e solitário, na expectativa de ser reutilizado. A melodia aprofunda-se nas orelhas gélidas, concorrendo com um som perturbador conseqüente de um defeito no aparelho antigo. O relógio se desloca ligeiramente. As letras interromperam seu fluxo incessante, ninguém atreve-se a compartilhar seus pensamentos com outrem. A mulher pára de vibrar suas cordas vocais, e o timbre de um violão se apossa do quarto. Um jovem rapaz tenta inutilmente manter um diálogo, porém não está sendo correspondido. E novamente, repete-se a mesma cena. Repentinamente, a sua mão curvada é conduzida ao queixo. Os sons das teclas cessam suas batidas descompassadas.
O calendário avança para mais um novo dia. E o que será desse dia? Mais uma monotonia? Talvez. Mais uma repetição do cotidiano? Talvez. Mais um dia sobre a cadeira giratória, sorvendo conteúdos que para nada servirão, salvo sob a estressante e vã tentativa de eliminar outros indivíduos em prol de uma vaga “aspirada”? Talvez. Conhecimentos... Ah, conhecimentos! Tão bons quando são obtidos sem qualquer esforço! Ultimamente, porém, está sendo adquirido via stress. Quão deplorável é isso!