sábado, 21 de novembro de 2009

Textos aleatórios- "O ralo sob o minério"

19/09/2009

tags: minério, ralo.

Ele apenas parou em frente. E observou. Observou atentamente. Não acreditava no que via. O dia estava ensolarado. Algumas nuvens quedavam-se inertes no céu azul-celeste. Um pássaro isolado alçava voo, desnorteado, em uma vã tentativa de localizar seu bando. E ele ainda pairava por sobre o ralo. Aquele singular ralo. Tinha um formato de um polígono de três vértices, apresentando indícios de oxidação em suas arestas fundamentais, ao mesmo tempo em que detinha porções de resíduos diluídos entre bolos envelhecidos de cabelos castanho-claro. E 0 minério ainda observava, atentamente, aquele ralo imundo. Minério, um enorme bloco de carvão mineral hesitou por um instante, mas por fim agachou-se, removeu os resíduos-- as agregações de pelos úmidos do inóspito ralo, removeu a grade de proteção e meteu a mão naquele covil exótico.

Arrependeu-se ao sentir uma massa plasmática desconhecida trespassando entre seus dedos. Continuou, no entanto, a afundar seu braço na procura daquele isqueiro. Penso, particularmente, que a busca por um isqueiro dentro de um ralo é uma atividade inútil (e desnecessária). Mas mesmo assim ele o procurava. O minério encontrou sua busca qunado o líquido escuro e fétido se aproximava de seu cotovelo. E, de posse de sua meta, ele puxou o isqueiro do ralo.

Não limpou seu braço, pois a água do depósito estava ausente, por algum motivo qualquer. Ainda nesse estado, ele pôs o isqueiro na sua frente. Deu um sorriso de lado, cerrou os olhos e acionou o isqueiro. Nada. Acionou novamente. Nada. Novamente. Nada. Constatou, por fim, que seriam vãs as tentativas. O isqueiro estava inutilizado. O minério lançou longe o objeto de encontro à parede, de forma que ele ficou em frangalhos. Sentou-se e esperou. Sabia que logo seria carregado para a fornalha. E, sem seu isqueiro para incinerar a corda que mantinha as portas fechadas, ele conformou-se.

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